Guia Completo para Aprender Idiomas
Parte 1: Aprendendo a Pronúncia

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O Vídeo Perfeito para Aprender um Idioma Estrangeiro

Eu sempre tive muita paixão pelo estudo de idiomas. O meu idioma nativo é o Russo, mas eu também posso falar o Inglês e o Francês. Eu também tenho experiência em outros idiomas, como o Japonês (Eu passei no primeiro nível do Exame de Proficiência da Língua Japonesa em 2006), o Espanhol, o Alemão, e o Chinês!

Desde que eu tinha começado a estudar outros idiomas estrangeiros, eu venho pensando muito em uma única questão: qual é a melhor forma de aprender um idioma estrangeiro? É com um livro, uma gravação de áudio, um curso de aulas em vídeo, ou com aulas diretas com um falante nativo?

Talvez seja verdade que você pode aprender mais rápido com um professor experiente, mas há um grande lado negativo que vem com isso—as aulas particulares custam muito caro. E embora as aulas em grupo sejam muito mais em conta, os alunos passam a maior parte do seu tempo avaliando os erros dos colegas.

Se você quer aprender um idioma estrangeiro por sua própria conta, os materiais de ensino podem ser separados em 3 categorias:

  1. Em texto
  2. Em áudio e texto
  3. Em vídeo e texto

Eu fiz um teste com cada uma dessas opções e descobri que o vídeo junto com o texto é a melhor e a mais rápida forma de aprender um idioma estrangeiro. Mesmo assim, achar o vídeo certo pode ser bem difícil. Um vídeo para o estudo de idiomas estrangeiros deve ter:

  • Alta qualidade profissional de som e vídeo
  • Fala em velocidade lenta para os iniciantes e diálogo mais rápido para os alunos avançados
  • Boa articulação em cada palavra pronunciada de forma bastante clara
  • Exclusivamente apenas com atores e falantes nativos
  • Todo o diálogo disponível apenas no idioma estrangeiro para que o aluno do idioma não entre em confusão com dois idiomas diferentes
  • Legendas para todo o diálogo
  • A tradução de todo o diálogo
  • A transcrição fonética do texto, já que em alguns idiomas, como o Inglês ou o Japonês, pode ser complicado pronunciar as palavras que você não conhece
  • Nenhuma distração sonora, como ruídos ou música de fundo
  • Atores que usam as suas próprias vozes gravadas junto aos vídeos, ao invés de usar uma dublagem de voz por cima
  • Um destaque para as palavras mais conhecidas do idioma para ajudar os que estão aprendendo o idioma a se prepararem para situações reais que precisam de comunicação o mais rápido possível

Eu não consegui achar nenhum curso que atendia a todos os critérios acima, então eu decidi criar um site, o Project Modelino, para ajudar as pessoas a encontrarem bons materiais de estudo de idiomas em vídeo, de graça. Ainda assim, eu não estava satisfeito com os cursos disponíveis, então eu comecei a criar os meus próprios cursos de pronúncia.

Agora que já sabemos o que usar para aprender um idioma, não seria hora de falar sobre como podemos aprender um idioma? Ainda não! Antes disso, precisamos falar sobre algo muito mais importante, algo que você pode usar para saber se você vai conseguir aprender um novo idioma ou não: a sua motivação.

Motivação + Prática Frequente = Sucesso!

Você pode já ter ouvido essa conversa antes. Não há nada que você não possa alcançar em toda a sua vida com muita prática e muita motivação: nos negócios, nos esportes, na ciência, no que você quiser, tudo! Aprender um novo idioma não é nada diferente. Por isso, antes de começar a fazer os exercícios descritos abaixo, reflita bastante sobre as seguintes perguntas:

  • "Por que eu quero aprender esse idioma?"
  • "Será que aprender esse idioma é tão importante assim para mim?"
  • "O que é que eu vou fazer quando eu me tornar fluente nesse idioma?"

Se a resposta para alguma dessas perguntas for, "Eu não sei...", desista—você não tem a menor necessidade de aprender um idioma estrangeiro. Mas se você puder responder a essas perguntas e justificar a sua resposta por mais de cinco minutos, e puder convencer a quem está te ouvindo que você não consegue viver sem esse idioma—isso muda toda a história! Bem vindo ao clube dos apaixonados pelos idiomas estrangeiros!

Outra parte muito importante da equação é a prática frequente. E quando eu digo frequente, eu digo pelo menos uma hora, TODO dia. Mas por que ela é tão importante? Veja, aprender qualquer idioma estrangeiro é um processo bastante desnatural para o seu cérebro. Se você já tentou aprender um idioma estrangeiro, você já deve ter notado que é muito difícil aprender novas palavras no começo. O seu cérebro não vai conseguir aceitar esse novo idioma, a não ser que você demonstre que esse idioma é algo do qual você realmente precisa—algo do qual você vai precisar usar todos os dias. E isso leva um nível de prática frequente e intensa.

Eu quero que você deixe essa equação mágica grudada na sua cabeça:

Motivação + Prática Frequente = Sucesso

Tudo isso é um pré-requisito absoluto de tudo o que vem pela frente. É por isso que muitos de nós não conseguimos aprender novos idiomas na escola—porque uma parte dessa equação não estava presente.

O Estado Principal para Aprender Um Idioma: o Estado de Alta Performance

Se você quer ter sucesso em qualquer atividade, você precisa estar mental e fisicamente preparado para isso. Por exemplo, se você quer praticar um esporte que precisa de jogadores com reflexos rápidos, como o tênis, você precisa estar em alerta, os seus músculos precisam estar aquecidos, e a sua mente precisa estar limpa e aberta para tudo o que possa acontecer ao seu redor. Outras atividades, como a meditação, por exemplo, podem precisar de outros aspectos corporais. Cada um desses aspectos podem ser chamados de estado.

Você também vai precisar entrar em um estado especial para lhe ajudar a aprender novos idiomas estrangeiros com facilidade e rapidez. Reflita sobre essa frase do John Grinder, um dos criadores da Programação Neurolinguística (PNL):

Então, quando você aprende um novo idioma... Tecnicamente falando, não existem dois idiomas que possam ser traduzidos. Você não pode traduzir um idioma diferente do seu. Certamente, você pode manejar cada um. Mas traduzir diretamente, não. Isso não existe. Portanto, se tudo o que você receber for um cubículo de trabalho e um par de fones de ouvido, você é forçado a traduzir. Esta é forma mais eficiente de não aprender.

O que você precisa é de uma realidade alternativa. Você precisa estar em um estado no qual você se desapega do Inglês, ou de qualquer que seja o seu idioma nativo, para que quando você escute esse idioma—o seu idioma—sendo falado de uma fonte externa, ou quando você ativar um ciclo auditório interno em seu corpo, em Inglês, tudo o que você ouvir seja entendido como baboseiras. Se você conseguir fazer isso, então você poderá criar um lugar neste novo mundo para que ele possa crescer, já que ele é bastante frágil no início.

Há uma tendência forte, principalmente para nós que vivemos no mundo ocidental, de nos apoiarmos no entendimento. Confusão é um estado que devemos evitar. Digo, isso é um completo absurdo. A confusão é uma indicação de que você está prestes a aprender alguma coisa nova se você permanecer com ela. O que eu quero dizer é, se você não estivesse confuso, você não estaria aprendendo nada de novo.

Agora, você deve estar se perguntando:

  1. Quais são os aspectos exatos desse estado de alta performance?
  2. Como se pode alcançar esse estado?

A resposta para a primeira pergunta é bem simples. Assim como no tênis, você precisa estar em boa condição física, aquecido, e sem níveis desnecessários de tensão. Mentalmente, você precisa estar confiante de si mesmo, cheio de energia, entusiasmado, em alerta, e atento para aceitar tudo o que você possa ver ou ouvir. Você também precisa estar ciente de todos os erros que você cometer. Afinal, por que se irritar ao cometer um erro? Isso é uma parte do processo de aprendizagem!

Então, como podemos alcançar esse tal estado de alta performance? Há várias formas de alcançá-lo. Vamos usar o tênis como exemplo novamente: se você joga bem o tênis, você já alcançou esse estado várias vezes em sua vida—você já o alcançou todas as vezes que entrou em uma partida. Só que jogar uma partida de tênis antes de estudar um idioma não faz lá muito sentido, levando em conta que muita gente nem sequer tem um campo de tênis no seu quintal.

Felizmente, há outra alternativa: existem jogos e exercícios especiais criados para lhe ajudar a alcançar esse estado muito mais rápido. Esses jogos são fáceis de jogar em casa e não precisam de nenhum equipamento caro. Por exemplo, você pode experimentar o Jogo do Alfabeto, que é bem simples e que você pode jogar em casa.

Para ter melhores resultados com os vídeos de estudo de idiomas, eu recomendo que você pratique todos os exercícios mencionados abaixo estando nesse estado de alta performance. Essa é uma técnica muito eficaz que vai lhe ajudar a aprender novos idiomas e também vai lhe ajudar em outras partes de sua vida!

Agora que já falamos do que deve ser usado para aprender um novo idioma e qual estado vai lhe ajudar a ter sucesso nisso, vamos falar sobre por onde começar. Eu recomendo que você comece com a pronúncia.

Como Aprender a Pronúncia?

Geralmente, eu comparo a forma com a qual você aprende um idioma—principalmente a pronúncia—com a forma com a qual você aprende a tocar um instrumento (como a flauta) ou a praticar um esporte (como o tênis).

Vamos usar aprender a tocar a flauta como exemplo. O professor geralmente começa ensinando ao aluno como segurar e assoprar a flauta, e como formar os lábios para criar os sons. A partir daí, o aluno passa a imitar tudo isso. Pode-se dizer que o professor serve como um modelo para o aluno, e que o aluno copia o comportamento do modelo. Há muita repetição nesse processo. Através da repetição desses movimentos, o corpo (os dedos, as mãos e os lábios) se acostuma com essa atividade desconhecida e o aluno chega a criar um bom som.

Agora vamos usar como aprender a jogar tênis como exemplo. O mesmo princípio pode ser inserido aqui—o professor demonstra a forma correta de segurar a raquete e a forma correta de atingir a bola, e o aluno imita os movimentos do professor. Mais uma vez, há um grande nível de repetição. Óbvio que no começo, os movimentos do aluno serão estranhos. Mas com um bom nível de tempo, prática, e muita motivação, os músculos e o cérebro irão se adaptar a essa atividade, e o aluno será capaz de atingir a bola da forma correta.

Aprender um novo idioma não é nada diferente! Você observa com cuidado como um falante nativo pronuncia uma palavra ou um som, e você depois o imita. Você forma os seus lábios da mesma forma que o falante nativo, e você tenta da melhor forma possível produzir o mesmo som que ele ou ela produziu. Isso é tudo!

Pense bem—as crianças pequenas não conseguem decifrar os movimentos labiais, elas não conseguem ver as partes em movimento da cabeça, e ainda assim, elas conseguem aprender como pronunciar todos esses sons. De várias formas, você está em uma melhor capacidade do que uma criança pequena. O seu sistema nervoso já está desenvolvido, você tem ciência do que você está fazendo, você pode se concentrar melhor, você pode usar a transcrição fonética para lhe ajudar a aprender os sons estranhos ou os que você não conhece de um novo idioma.

Som: O Elemento Principal de Qualquer Idioma

Assim que você ler as descrições dos exercícios abaixo, jamais se esqueça de uma regra muito importante: os componentes de um novo idioma—sejam eles os sons, as palavras ou as frases—nunca devem ser aprendidos somente ao ler um texto. Em vez disso, eles devem ser aprendidos com clipes de vídeo ou áudio. Por quê? Bem, imagine que aprender um novo idioma é como aprender música.

Na música, o elemento principal que nós aprendemos é o som. A sua representação visual (a notação) é um elemento secundário e deve ser tratado como tal. A mesma ideia por trás disso pode ser inserida nos idiomas. O idioma em voz surgiu muito antes do idioma em texto, e essa prioridade deve ser respeitada durante o processo de aprendizagem de idiomas.

Se tudo isso ainda não te convenceu, faça a seguinte prova. Diga a seguinte frase em voz alta: "I say". Depois, assista a esses três vídeos curtos da série britânica "Jeeves and Wooster":

  1. "I say" (1)
  2. "I say" (2)
  3. "I say" (3)

Agora, compare a forma como VOCÊ pronunciou a frase com a qual o Hugh Laurie a pronunciou. Aposto que a sua entonação de voz não foi a mesma, não é? Neste exemplo em particular, a mesma frase possui três sentidos diferentes:

  1. "I say" (1) = "Nossa! Que incrível!"
  2. "I say" (2) = "Com licença!"
  3. "I say" (3) = "Por favor! Você não está falando sério!"

Imagine que você está aprendendo o Inglês com um livro. Você nunca teria adivinhado ou aprendido essas entonações da forma correta. Óbvio que você pode usar alguns clipes de áudio para aprender essas entonações, mas isso ainda deixa muito a desejar. Com o áudio, você pode ouvir como os falantes nativos pronunciam as palavras e as frases. Porém, com o vídeo, você também pode ver em quais casos uma palavra ou uma frase pode ser usada. O vídeo também mostra como os falantes nativos pronunciam as palavras e as frases, além de incluir o comportamento não-verbal. É por isso que o vídeo é o melhor material para se estudar um novo idioma. Cada pedaço de informação linguística é preservado em sua forma natural. Você nunca encontraria o mesmo nível de informação em gravações de áudio ou em texto. Isso é impossível!

Por isso, sempre tente utilizar o vídeo, ou pelo menos o áudio, quando você estiver aprendendo algo novo em um idioma. Esta técnica vai lhe ajudar a poupar o seu tempo nos seus estudos, já que você vai aprender o idioma da forma que ele é falado naturalmente pelos falantes nativos—ao invés de adivinhar como ele é falado quando você lê um texto estrangeiro. Desta forma, você não vai precisar reaprender as coisas que você já aprendeu da forma incorreta no futuro.

Exercícios de Pronúncia

Eu criei uma lista de exercícios que você pode praticar ao assistir os materiais em vídeo. Você não precisa praticar TODOS os exercícios. Eu sugiro que você só pratique os que vão ajudar você a progredir mais rápido. A decisão de quais são os melhores exercícios será diferente dependendo de cada aluno.

Os exercícios descritos abaixo são partes modificadas do meu livro de estudo de idiomas, "Aprendendo Idiomas Estrangeiros Rápido: Do Inglês ao Japonês" (publicado originalmente em Russo). Esses exercícios podem ser separados em três categorias, sendo três exercícios parte de cada categoria. Os exercícios mais importantes são os que estão marcados em negrito.

  1. Exercícios de estudo passivo
    • 1-A. Assistir a um vídeo de forma passiva
    • 1-B. Ler uma transcrição fonética de forma passiva
    • 1-C. Ler um texto estrangeiro de forma passiva
  2. Exercícios de estudo ativo
    • 2-A. Assistir a um vídeo de forma ativa
    • 2-B. Ler uma transcrição fonética de forma ativa
    • 2-C. Ler um texto estrangeiro de forma ativa
  3. Exercícios de consolidação
    • 3-A. Falar de forma autônoma
    • 3-B. Ler uma transcrição fonética de forma autônoma
    • 3-C. Ler um texto estrangeiro de forma autônoma

1. Exercícios de Leitura Passiva

Os três exercícios a seguir vão lhe ajudar a estudar de forma passiva. Isto é, você não está realmente repetindo o que o falante nativo está dizendo, seja de forma externa (em voz alta) ou interna (com movimentos micro-musculares em seus órgãos de fala). Esses exercícios podem lhe ajudar se você for um iniciante no estudo de idiomas ou se uma palavra ou frase em particular for muito difícil ou rápida para o seu nível.

1-A. Assistir a um vídeo de forma passiva

Instruções: assista ao vídeo sem nenhuma legenda.

Se você fez os exercícios de estudo ativo descritos abaixo, você pode praticar este exercício com o áudio apenas—isto seria ouvir de forma passiva. Neste caso, você pode praticar este exercício fazendo as suas obrigações de casa ou outras atividades diárias que não precisam de muita atenção. Você pode precisar de um programa que pode extrair o áudio de seus arquivos de vídeo.

1-B. Leitura passiva de transcrição fonética

Instruções: ouça à trilha de áudio do vídeo e, ao mesmo tempo, preste atenção na transcrição fonética com os seus olhos.

Este exercício vai lhe ajudar a decifrar alguns sons desconhecidos do idioma que você está estudando. Isso fará com que você copie esses sons com mais facilidade e também que você pratique exercícios de leitura ativa.

1-C. Leitura passiva de texto estrangeiro

Instruções: ouça à trilha de áudio do vídeo e, ao mesmo tempo, preste atenção no texto estrangeiro com os seus olhos.

Este exercício vai lhe ajudar a começar a aprender como fazer uma leitura em um idioma estrangeiro.

2. Exercícios de Estudo Ativo

Se você já tem experiência no estudo de idiomas e já sabe como alcançar o estado de alta performance, então pode pular o estudo passivo e começar com os seguintes exercícios.

2-A. Assistir a um vídeo de forma ativa

Instruções: assista ao vídeo sem nenhuma legenda e, ao mesmo tempo, tente copiar o falante nativo.

Este exercício, junto ao Exercício 2-C, é de extrema importância. Há várias formas de praticar este exercício. Se você for um iniciante, você pode copiar o falante nativo pausando o vídeo depois de cada palavra ou de cada frase curta, e assim, repetir o que você acaba de ouvir.

Como alternativa, você pode tentar copiar o falante nativo assim que ele ou ela começar a falar. Isso quer dizer que haverá um atraso (pouco menos de um segundo) entre a sua voz e a do falante nativo. Eu recomendo que você fale em voz alta; entretanto, você também pode falar em voz baixa sem vibração das suas cordas vocais desde que os seus órgãos de fala ainda realizem os mesmos movimentos como se estivessem falando em voz alta.

Um ponto essencial que deve ser lembrado—você não deve saber qual palavra será pronunciada assim que você ouvir o falante nativo. Só o que você deve pronunciar é uma reprodução exata do que você acabou de ouvir.

Às vezes, alguns dubladores profissionais também usam esta técnica.

Veja uma demonstração realizada pelo Mike Rowe.

2-B. Leitura ativa de transcrição fonética

Instruções: ouça à trilha de áudio do vídeo e preste atenção na transcrição fonética com os seus olhos, ao mesmo tempo copiando o falante nativo.

Este exercício será de melhor ajuda para as pessoas com ouvidos menos desenvolvidos. Algumas pessoas são capazes de reproduzir facilmente os sons que elas ouvem, seja por talento natural ou por prática (no caso dos músicos, por exemplo). Se este for o seu caso, você pode pular este exercício—principalmente se a estrutura fonética do idioma que você está estudando for bastante parecida com a do seu idioma nativo.

2-C. Leitura ativa de texto estrangeiro

Instruções: ouça à trilha de áudio do vídeo e preste atenção no texto estrangeiro com os seus olhos, ao mesmo tempo copiando o falante nativo.

Este exercício é muito importante. Ele vai lhe ajudar a aprender como fazer a leitura em um idioma estrangeiro. O mesmo princípio que foi descrito no Exercício 2-A pode ser inserido aqui—você precisa esperar até que o falante nativo pronuncie a palavra antes que você possa ler a mesma! Assim que você ler a palavra, você poderá reproduzir apenas exatamente o que você acabou de ouvir. Neste caso, você também pode ler as palavras durante as pausas ou você pode ler elas ao mesmo tempo que o falante nativo com um pequeno atraso.

3. Exercícios de Consolidação

Os exercícios da categoria anterior são chamados de exercícios de leitura ativa, mas ainda assim, o seu cérebro precisa passar por mais um passo. O passo consiste em consolidar tudo o que você aprendeu copiando o falante nativo. Você precisa aprender a ler e falar tudo por sua própria conta.

3-A. Falando de forma autônoma

Se você praticar os exercícios das categorias anteriores com frequência, em algum momento, você passará a pronunciar as palavras e as frases que você já aprendeu antes—mesmo se estiver fazendo uma atividade completamente diferente durante o dia.

A mesma coisa ocorre quando você aprende a jogar tênis. Depois de um tempo, o seu corpo começa a reproduzir os movimentos que você aprendeu durante as suas aulas. Isso é um bom sinal de que você está progredindo.

Você também pode fazer isso de forma consciente. Lembre quais foram as palavras ou as frases que você esteve praticando, e comece a repeti-las em voz alta. Imite o falante nativo da forma mais precisa que a sua memória possa permitir.

Se você souber o significado das palavras ou das frases que você aprendeu, você também pode imaginar uma situação onde repetir seja apropriado, e praticar nesta situação imaginária. Você pode fazer isso com o seu parceiro ou com o seu professor também. Este exercício é tão importante quanto os Exercícios 2-A e 2-C.

3-B. Leitura autônoma de transcrição fonética

Neste exercício, você precisará ler a transcrição fonética das palavras que você já aprendeu em voz alta. Você pode fazer uma cópia impressa dessa transcrição ou enviá-la ao seu celular para praticar mesmo se você não tiver um computador por perto. Mais uma vez, tente imitar o falante nativo da forma mais precisa que você puder. Isto vai lhe ajudar a desenvolver uma memória de longo prazo dos sons pertencentes ao idioma que você está estudando.

3-C. Leitura autônoma de texto estrangeiro

Este exercício também é muito importante. Você precisará ler o texto estrangeiro por sua própria conta, e isso vai ajudar a consolidar os níveis de leitura que você começou a desenvolver com o Exercício 2-C.

Pronunciation Player

Você deve estar ansioso para começar a praticar agora que você conhece esses exercícios. Para lhe ajudar a aprender a pronúncia das palavras, nós criamos um programa especial chamado Pronunciation Player. Ele vem com vários recursos interessantes:

  • Reprodução em câmera lenta com áudio estendido em qualidade natural
  • Exibição de vários tipos de legenda, além da soletração das palavras e da transcrição fonética, com a possibilidade de ativar ou desativar todas as legendas separadamente
  • Opção para ajustar a duração de pausa antes e depois de cada clipe de vídeo
  • Opção para repetir cada clipe de vídeo quantas vezes desejável

Nós também gravamos alguns cursos de pronúncia para os idiomas mais populares. Todos os nossos cursos foram criados para atender aos critérios do material em vídeo perfeito para o estudo de idiomas, incluindo:

  • Alta qualidade de som e vídeo
  • Baixa velocidade de fala para os iniciantes
  • Articulação clara
  • Destaque para as palavras mais frequentemente usadas

Mas e o Significado das Palavras?

Você já deve ter percebido que nenhum dos exercícios descritos acima exigem que você aprenda o significado das palavras. Por quê? Isso quer dizer que você vai aprender as palavras estrangeiras sem sequer saber o que elas querem dizer? Para ser sincero, sim! Essa é a chave do sucesso. Lembra de quando falamos que aprender um novo idioma é como aprender a tocar um instrumento musical ou a praticar um esporte? Esses exercícios de pronúncia também podem ser comparados a essas atividades.

Por exemplo, no esporte, esses exercícios são como os exercícios de alongamento ou aquecimento. Se você estiver no meio de uma partida de tênis, você não pode se deitar no chão e alongar as suas pernas. Mesmo assim, esses exercícios são bastante importantes para a sua vitória. Todos os atletas profissionais os adicionam em suas agendas de treinamento.

Na música, esses exercícios de pronúncia são como aprender as escalas ou como tocar usando a boca no caso de alguns instrumentos de sopro. Ninguém vai usar um instrumento de sopro em uma banda ou uma orquestra; mesmo assim, os exercícios de sopro são essenciais para os iniciantes e até mesmo para os músicos profissionais que gostam de utilizá-los de vez em quando.

A mesma coisa ocorre quando você pratica os exercícios de pronúncia. Sim, eles podem ser um pouco chatos no começo. Eles podem ser até estranhos—precisar aprender um idioma, só que sem utilizar nenhuma comunicação! Eu sugiro que você pare de pensar no significado das palavras por um segundo. Poupe o seu tempo e o seu esforço. A melhor forma de aprender o significado das palavras é vendo uma comunicação real entre dois falantes nativos. Isso será o seu próximo passo para que você possa aprender como falar um novo idioma...

© Timur Baytukalov, 2014-2017